A CazéTV, um dos maiores canais esportivos do YouTube no Brasil, entrou no noticiário por um motivo que não tem nada a ver com futebol: o INPI negou o registro da marca CazéTV justamente na classe que cobre entretenimento, produção audiovisual e transmissões. O canal mantém registros em outras áreas, mas o pedido que protegia o coração do negócio foi indeferido. E isso coloca em xeque a segurança de todo o restante do projeto.
O motivo? Já existem marcas parecidas registradas antes, a Casé e a Casé Filmes. “Ah, mas Cazé é com Z e Casé é com S.” Pois é, para a lei isso pode não fazer diferença. Neste artigo, a gente explica o que aconteceu, por que o INPI decidiu assim, por que duas “Casés” convivem e a CazéTV não, quais são os próximos passos do caso e, principalmente, o que ele ensina para quem tem um negócio, seja um comércio, uma fábrica, um consultório ou um canal no YouTube. As informações sobre o processo são as divulgadas publicamente até a data desta publicação, e o conteúdo tem caráter informativo, sem substituir a análise do caso concreto que a Encore Marcas realiza mediante atendimento.
Neste artigo, você vai ver:
- O que aconteceu com a marca CazéTV no INPI
- Por que o INPI negou o registro: Cazé e Casé
- Se já existem duas Casés, por que a CazéTV não pode?
- O que pode acontecer agora: recurso, acordo e Justiça
- O que o caso CazéTV ensina para qualquer negócio
- Como evitar que isso aconteça com a sua marca

O que aconteceu com a marca CazéTV no INPI
O caso chama atenção porque envolve uma marca conhecida por milhões de pessoas. E mostra, na prática, que fama não é registro e que proteger a marca só em parte das atividades pode deixar a principal descoberta.
Registro em outras classes, negativa na classe 41
Os advogados da CazéTV pediram o registro da marca no INPI em diversos segmentos. Segundo as reportagens sobre o caso, o canal mantém registros em classes ligadas a aplicativos, publicidade, telecomunicações, streaming e tecnologia. O problema está na classe 41, onde o pedido foi indeferido no início de 2026. Ou seja, o registro que mais importava foi justamente o que ficou de fora.
Por que a classe 41 é a mais importante para a CazéTV
Pela Classificação de Nice, usada pelo INPI para organizar produtos e serviços, a classe 41 reúne serviços de entretenimento, produção audiovisual, programas de televisão, transmissões e eventos. É exatamente o que a CazéTV faz no YouTube. Sem o registro nessa classe, o canal não tem o direito de uso exclusivo da marca na atividade principal, mesmo protegido nas demais.
Por que o INPI negou o registro: Cazé e Casé
A decisão tem fundamento, e entender esse fundamento ajuda a evitar o mesmo problema em qualquer outro negócio.
As marcas Casé e Casé Filmes
Na classe 41, já existem duas marcas anteriores registradas: a Casé, que atua com produção de eventos artísticos e culturais, e a Casé Filmes, voltada a filmes e programas de televisão. Como o INPI segue o princípio de que quem registra primeiro tem prioridade, um pedido posterior parecido, no mesmo ramo, tende a esbarrar nas marcas que já estavam lá.
“Mas Cazé é com Z”: a semelhança fonética
Não importa. A Lei da Propriedade Industrial (art. 124, inciso XIX, da Lei 9.279/96) impede o registro de marca que reproduza ou imite marca alheia já registrada, para serviços idênticos, semelhantes ou afins, quando houver risco de confusão ou associação para o consumidor. Na análise, o INPI considera a semelhança gráfica, fonética e de sentido. “Cazé” e “Casé” se pronunciam do mesmo jeito, e trocar uma letra não afasta a colidência de marca quando as duas atuam no mesmo nicho.
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Se já existem duas Casés, por que a CazéTV não pode?
Você deve estar se perguntando: “se a Casé e a Casé Filmes convivem na mesma classe, por que a CazéTV não pode entrar também?”
Um mesmo segmento, vários serviços
Porque uma classe é ampla. Dentro do mercado de entretenimento, existem dezenas de serviços diferentes que uma empresa pode prestar. A Casé trabalha com eventos artísticos e culturais; a Casé Filmes, com filmes e programas de televisão. Cada pedido descreve, na chamada especificação de produtos e serviços, exatamente o que a marca vai identificar, e é essa descrição que o INPI compara para avaliar o risco de confusão.
O peso de uma especificação ampla demais
A CazéTV citou no processo uma lista de atividades muito ampla, que alcança tanto a área de eventos quanto a de produção audiovisual. Na nossa leitura do caso, essa amplitude pode ter sido o que levou ao indeferimento: quanto mais serviços o pedido abrange, maior a chance de sobrepor marcas que já existem. Uma especificação mais precisa nem sempre resolve, mas costuma reduzir conflitos.

O que pode acontecer agora: recurso, acordo e Justiça
O indeferimento não é o fim da linha. A decisão ainda pode mudar, mas também pode ser mantida.
O recurso administrativo
A CazéTV recorreu da decisão. Contra o indeferimento de um pedido de marca, a lei prevê recurso administrativo no prazo de 60 dias, julgado pela segunda instância do INPI. Até as últimas informações públicas, divulgadas em julho de 2026, o recurso aguardava julgamento.
O acordo de convivência
No recurso, a CazéTV apresentou um documento que alega um acordo de convivência (ou coexistência) com a Casé. O problema: segundo o acompanhamento do caso feito pela Encore, a Casé Filmes não entrou nesse acordo. Esse tipo de documento é considerado pelo INPI, mas não obriga o instituto a aceitar o registro, e o risco de confusão com a marca que ficou de fora continua sendo analisado.
A via judicial
Se o INPI mantiver a negativa, é provável que a CazéTV leve o caso à Justiça Federal. Só que a Justiça também pode concordar com o INPI e manter a decisão. Ou seja, o desfecho ainda é incerto.
O que o caso CazéTV ensina para qualquer negócio
O caso é de um canal enorme, mas a lição serve para o pequeno negócio do bairro.
Notoriedade não substitui registro
Milhões de seguidores, audiência recorde e uma marca conhecida no país inteiro não garantem o registro. Pelo contrário: quanto mais conhecida a marca, maior o impacto de um problema no registro. O INPI analisa quem registrou primeiro e se existe risco de confusão, não quem ficou mais famoso. Quem constrói a marca antes de protegê-la corre o risco de investir anos em um nome que, juridicamente, pode não ser seu. A marca registrada também é um ativo da empresa, que entra em negociações, contratos de patrocínio e licenciamento.
Canal no YouTube, perfil no Instagram, loja: se é marca, registra
Pode ser um comércio, uma fábrica, um consultório, um canal no YouTube ou uma página no Instagram. Se o nome identifica o que você oferece, ele é uma marca, e o caminho para protegê-lo é o registro de marca no INPI. Ter que trocar de nome depois, com fachada, site, perfis e público construídos, gera um prejuízo difícil de recuperar.
Como evitar que isso aconteça com a sua marca
Três cuidados reduzem bastante o risco de passar pelo que a CazéTV está passando.
Consulta de viabilidade antes de investir
Antes de escolher o nome e investir em identidade visual, a consulta de marca verifica se já existem marcas iguais ou parecidas, inclusive na pronúncia, na classe pretendida. A busca na base pública do INPI é gratuita, mas a leitura correta do resultado, sobretudo de nomes com mesma pronúncia, é o que separa um pedido seguro de um indeferimento.
Escolha certa de classes e especificação
Definir as classes e redigir a especificação com precisão evita sobrepor atividades de marcas que já existem. Quando houver convivência possível, o acordo deve ser formalizado com cuidado, nos contratos de propriedade intelectual.
Acompanhamento depois do protocolo
Exigências, oposições e recursos têm prazos curtos, contados da publicação na Revista da Propriedade Industrial. O acompanhamento de marcas controla esses prazos e monitora pedidos de terceiros parecidos com a sua marca, para que você possa apresentar oposição a tempo.
Conclusão
O caso CazéTV mostra que nem a marca mais conhecida está protegida sem registro na classe certa. Uma diferença de letra não afasta a semelhança fonética, uma especificação ampla demais pode aumentar o conflito e um acordo de convivência parcial pode não ser suficiente. O recurso ainda pode mudar o resultado, mas a lição já está dada: se é marca, registra, e desde o início do negócio. Conheça os serviços de propriedade intelectual da Encore e a equipe do escritório. Precisa registrar sua marca? Fale com a Encore Marcas. E para acompanhar notícias de marcas nacionais e internacionais, siga a Encore no Instagram, @encoremarcas, e veja outros casos no blog da Encore Marcas.

Perguntas Frequentes
A CazéTV vai ter que mudar de nome?
Não há decisão definitiva. O registro na classe 41 foi negado, mas o recurso ainda pode reverter o resultado, e o caso pode chegar à Justiça. O canal mantém registros em outras classes.
Marcas escritas de forma diferente, mas com o mesmo som, podem coexistir?
Em regra, não, quando atuam no mesmo ramo e podem confundir o consumidor. O INPI avalia a semelhança fonética, gráfica e de sentido, e não só a grafia.
O que é a classe 41 do INPI?
É a classe da Classificação de Nice que reúne serviços de educação, entretenimento, produção audiovisual, atividades esportivas e culturais.
O que fazer quando o pedido de marca é indeferido?
Cabe recurso administrativo ao INPI em 60 dias da publicação da decisão. As chances dependem do motivo do indeferimento e da argumentação apresentada.
Preciso registrar o nome do meu canal no YouTube?
Se o nome identifica o seu conteúdo ou serviço, ele funciona como marca, e o registro no INPI é o que garante o uso exclusivo no ramo escolhido.